Em termos #2 – Mentalidade Revolucionária

Etimologia

Do latim: Mentós – forma de pensar.

Do latim: Revolutio + onis – ato ou efeito de se revoltar, ou causar abrupta alteração na política de certa nação.


Explicação

Um fenômeno histórico claramente identificável (…) “mentalidade revolucionária” é o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade (baseado em um modelo futuro e perfeito) – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política;

Olavo de Carvalho

Para o revolucionário, a injustiça e o mal são culpa de uma parcela da humanidade (podendo ser qualquer aparente antagonista a seus anseios como os burgueses no caso dos pobres, os cristãos no caso dos ateus, os homens brancos e heterossexuais no caso de feministas e/ou gays, etc) e, como tal, a resposta última para seus anseios seria a punição sumária dos mesmos.

Conforme o autor do próprio termo, pode-se dizer que a Mentalidade Revolucionária vem de três fatores principais:

A inversão da percepção do tempo:

Enquanto que para as pessoas normais o passado é imutável e o futuro a Deus pertence, para o revolucionário, sua utopia de sociedade perfeita é o grande objetivo enquanto a história conhecida é totalmente relativa. Conclui-se nessa linha de pensamento, que é perfeitamente plausível e até obrigatório alterar a concepção do que já aconteceu como forma de se provar que o futuro utópico é alcançável, justificando assim qualquer atrocidade.

A inversão da moral:

Sendo uma das bases para a Paralaxe Cognitiva, o conceito de mentalidade revolucionária se resume em um grupo, ou indivíduo, acreditar ter a resposta máxima para certo aspecto que este(s) acredita(m) estar errado. Baseando-se nesta premissa, a pessoa se reveste de uma ótica transcendental, pois, uma vez que é o emissário de um mundo melhor, nenhum tribunal teria o poder de julgar seus atos, no entanto, ele mesmo automaticamente se reveste do poder de julgar todas as culturas, histórias, idéias e ações alheias baseado exatamente nesse superpoder de compreensão da sociedade ideal.

A inversão do sujeito (ou objeto):

Conforme o pensamento revolucionário, a culpa da desgraça da (para nós, normais) vítima, é dele mesmo, exatamente porque não tem capacidade de compreender o ideal revolucionário (que levaria ao futuro ideal, destituído de todo mal), portanto, as vítimas dos grandes revolucionários, como Hitler e Guevara, foram eles mesmos, por falta do entendimento da revolução vigente, sendo seus algozes simplesmente os provedores de seu suicídio.


“Qualquer que venha a ser o futuro da espécie humana e quaisquer que sejam as nossas concepções pessoais a respeito, a mentalidade revolucionária tem de ser extirpada radicalmente do repertório das possibilidades sociais e culturais admissíveis antes que, de tanto forçar o nascimento de um mundo supostamente melhor, ela venha a fazer dele um gigantesco aborto e do trajeto milenar da espécie humana sobre a Terra uma história sem sentido coroada por um final sangrento.”

Olavo de Carvalho


Fontes e Indicações

  1. Blog Perspectivas (2008)
  2. Blog Olavo de Carvalho Parte 01 (2007)
  3. Blog Olavo de Carvalho Parte 02 (2007)